Por Marina Roveda
A coceira nos olhos pode parecer um incômodo passageiro, mas sua repetição pode trazer sérios riscos à saúde ocular. O oftalmologista Jae Min Lee, da Hapvida, alerta que esse hábito, comum em muitas pessoas, pode levar a complicações se não for controlado.
Com a chegada do ar seco, a lubrificação natural dos olhos diminui e, ao mesmo tempo, a poeira e os ácaros se acumulam em ambientes fechados, aumentando as chances de irritações e crises alérgicas. “Durante o inverno, com portas e janelas fechadas, o contato com esses agentes irritantes se intensifica, resultando em ardência e coceira, o que leva muitos a esfregar os olhos de forma quase automática”, explica Lee.
A pressão sobre a córnea
Embora coçar os olhos tenha uma certa fama negativa, o médico esclarece que não é necessário demonizar essa ação. “Coçar os olhos em si não é um problema, pois pode ajudar a remover algo desagradável. O que realmente deve ser evitado é a pressão excessiva e a repetição desse ato”, destaca.
Esse comportamento, especialmente em pessoas com predisposição genética, pode acelerar o desenvolvimento de doenças oculares, como o ceratocone. “Não significa que qualquer pessoa que coçar os olhos vá desenvolver a condição, mas aqueles com histórico familiar devem ter mais cuidado”, alerta.
Lee também recomenda que indivíduos com miopia elevada, usuários de lentes de contato ou que já passaram por cirurgias oculares redobrem a atenção. Além disso, é importante saber identificar quando a coceira é um sinal de que algo mais sério está acontecendo. “É normal sentir coceira ocasionalmente, mas se ela se torna frequente, acompanhada de vermelhidão ou secreção, é hora de procurar um especialista”, orienta.
Como aliviar a irritação?
Para aliviar o desconforto sem comprometer a visão, algumas medidas simples podem ser adotadas. Na falta de colírios lubrificantes, lavar os olhos com água corrente pode ajudar a remover partículas irritantes. Para aqueles que sofrem com ressecamento ocular, especialmente pessoas acima dos 50 anos ou que vivem em regiões secas, os colírios lubrificantes são recomendados, sempre com orientação médica.
“Esses colírios podem trazer alívio significativo. No entanto, se a coceira persistir, a consulta com um oftalmologista é fundamental para investigar a causa”, acrescenta Min Lee.
Evite a automedicação
Um erro comum é a automedicação com colírios antialérgicos ou corticoides. “Embora possam proporcionar alívio temporário, não tratam a raiz do problema. Além disso, o uso indiscriminado de corticoides pode levar a complicações, como catarata e glaucoma”, alerta o especialista.
A mensagem principal é ouvir o próprio corpo. “Se a coceira se torna diária, com vermelhidão ou necessidade constante de esfregar os olhos, isso não é normal. É crucial buscar a orientação de um oftalmologista para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado”, conclui.
Cinco sinais que indicam a necessidade de avaliação médica
- Coceira intensa ou repetida várias vezes ao longo do dia;
- Vermelhidão frequente;
- Secreção associada à irritação;
- Necessidade de esfregar os olhos com força para aliviar o desconforto;
- Persistência dos sintomas mesmo após lavar os olhos ou usar colírio lubrificante.
Sobre a Hapvida
Com uma trajetória de mais de 80 anos, a Hapvida se destaca como a maior empresa de saúde integrada da América Latina. Com uma equipe de mais de 77 mil colaboradores, a empresa atende cerca de 16 milhões de beneficiários em saúde e odontologia em todo o Brasil. A Hapvida se estrutura em 85 hospitais, 74 prontos atendimentos, 364 clínicas médicas e 309 centros de diagnóstico, unindo qualidade e inovação para oferecer o melhor em cuidados de saúde.








