Por Marina Roveda
A esclerose múltipla, uma condição crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central, pode ser difícil de detectar em seus estágios iniciais devido à variedade de sintomas que apresenta. No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima que mais de 40 mil pessoas vivem com essa doença, que causa lesões no cérebro e na medula espinhal.
O neurologista da Hapvida, Sidney Godoi, destaca que os primeiros sinais da esclerose podem diferir bastante entre os indivíduos. Entre os sintomas mais frequentes estão a perda de visão em um dos olhos, formigamentos persistentes, sensação de choque ao mover o pescoço, fraqueza em extremidades, dificuldades para caminhar e desequilíbrio.
“É importante notar que muitos desses sintomas podem ser confundidos com problemas do dia a dia, como estresse ou compressões nervosas. No entanto, na esclerose múltipla, esses sinais tendem a durar mais de 24 horas e surgem sem uma causa aparente. Além disso, eles podem levar a limitações significativas. Por isso, a persistência de sintomas neurológicos deve sempre ser investigada”, recomenda Godoi.
A melhora temporária de sintomas como formigamento ou visão embaçada pode levar muitos a subestimar a situação. Contudo, o neurologista ressalta que a reaparência desses sinais deve ser um alerta para buscar orientação médica.
“Muitos acreditam que, se o sintoma desapareceu, não há necessidade de consultar um especialista. Na esclerose múltipla, essa visão é equivocada, pois os surtos podem melhorar espontaneamente, mas a doença continua ativa, podendo provocar novas lesões. Por isso, um diagnóstico precoce é fundamental”, explica ele.
Godoi também esclarece que, apesar do aumento no número de diagnósticos, isso não indica que a esclerose múltipla esteja se tornando mais prevalente. “Atualmente, contamos com exames de ressonância magnética mais precisos e um maior entendimento sobre a doença, o que possibilita a identificação de casos que antes passavam despercebidos”, afirma.
A importância do diagnóstico precoce
Embora a esclerose múltipla não tenha cura, o reconhecimento e tratamento precoces são essenciais para controlar a doença e garantir qualidade de vida.
“A inflamação causada pela esclerose pode resultar em danos permanentes ao cérebro e à medula espinhal. Cada surto pode deixar sequelas, e quanto mais cedo iniciarmos o tratamento, maior a chance de mitigar novas crises e retardar incapacidades. Muitos pacientes diagnosticados precocemente conseguem levar uma vida ativa, estudando, trabalhando e mantendo relações pessoais saudáveis”, comenta o neurologista.
Godoi ainda aponta que um dos grandes mitos em torno da doença é a crença de que ela afeta apenas os idosos. “Na verdade, a esclerose múltipla geralmente se manifesta entre os 20 e 40 anos, uma fase crucial da vida. Outro equívoco comum é pensar que todos os pacientes acabarão em uma cadeira de rodas. Com os tratamentos atuais, muitos conseguem manter sua independência e qualidade de vida por longos períodos”, conclui.
Sobre a Hapvida
Com mais de 80 anos de história, a Hapvida se consolidou como a maior empresa de saúde integrada da América Latina. Com uma força de trabalho de mais de 77 mil colaboradores, a companhia atende cerca de 16 milhões de beneficiários em todo o Brasil, oferecendo cuidados em saúde e odontologia.
A estrutura da Hapvida é composta por 85 hospitais, 74 prontos atendimentos, 364 clínicas médicas e 309 centros de diagnóstico, focando tanto em cuidados preventivos quanto crônicos. Essa combinação de serviços e inovação garante aos clientes acesso a recursos humanos e tecnológicos de alta qualidade.








